Ensaios
Karen e Junior
Planejar, Esperar e Caminhar...
Planejar um casamento não é tarefa fácil, como na maioria dos casos é um momento de grandes expectativas, poucos recursos e muita gente envolvida. Para se entender um pouco da parte da expectativa, no nosso caso tratava-se de um relacionamento idealizado pelo noivo desde seus 14 anos, aquela famosa e clichê paquera escolar rendeu uma história cheia de altos e baixos e resultou em um noivado cerca de nove anos depois.
A vontade de viver juntos, dividir um teto, se ver todos os dias e serem marido e mulher era tão grande que fez com que encurtassem o prazo e o orçamento para o grande dia.
O noivado duraria cerca de um ano, que para um casal apaixonado, jovem e ansioso era uma eternidade. Preparativos começaram a ser feitos, juntos se esforçaram para fazer o máximo da decoração, receberam apoio de alguns amigos e familiares que nunca serão esquecidos e seguiram com esforço e dedicação.
Móveis, decoração, celebrantes, local da cerimônia, cerimonialista, fotógrafos, músicos... tudo foi se adequando a realidade financeira e ao pouco prazo que dispunham para organizar tudo, até que uma fatídica realidade começou a bater: não se poderia ter tudo aquilo até a data desejada... adiar não estava em questão, o querer estar junto era forte demais, era importante demais, tudo podia dar errado, tudo poderia ser deixado de lado, mas não poderiam esperar mais nem um dia para serem oficialmente um do outro. Marido e Mulher.
Com a realidade instaurada, começaram os cortes da lista, amigos tomaram posições na organização do grande evento, e um ou outro item foi eliminado, com pesar, mas com o consolo de que se era necessário para ficarem logo juntos.
Fotografias foram eliminadas, teriam tudo aquilo na memória, e talvez nas galerias dos celulares daqueles que estariam presentes... Aqui entra um novo personagem na narrativa, não era mais importante que alguns dos outros que não foram citados, mas roubou a cena de um modo que faz-se necessário falar um pouco dele: Cida, a mãe do noivo.
Ela era o tipo de mãe coruja que queria que tudo desse certo, viveu esse conto de fadas junto do casal, desde o início, no jantar do noivado onde o noivo queria
surpreender cozinhando ela o impediu e fez o macarrão com a promessa de que a noiva nem saberia de nada... claro que o noivo contou a verdade, mas isso não diminuiu o momento, apenas engradeceu aquela mulher.
Enfim, voltando para as decisões difíceis de um noivado, ao ser comunicada de que não haveriam as fotos no casamento, por motivos financeiros, a Cida – ou Tia Cida como era comumente chamada por todos – disse que teriam fotos sim, que ela não aceitaria que deixassem isso de lado, que ela não tinha fotos do seu casamento e que não deixaria aquele casal sem essa recordação e que então os daria isso como presente de casamento. Das suas economias tirou o que virou os pagamentos daquelas fotos, vieram então fotos do pré-casamento, que encheram os olhos de todos, o orgulho e realização era evidente naquela mulher, e ela vivia a mesma ansiedade que os noivos para o tão esperado 20 de outubro 2018.
Tentando não me prolongar mais, vamos nos resumir ao mês de outubro: desgaste, cansaço e expectativas nas alturas, o mês mais feliz daquelas vidas tinha começado, 13 de outubro, sábado ensolarado, fim do expediente de trabalho do noivo e ele partiu com seus pais para o supermercado, comprar tudo para o casamento, faltavam apenas SETE dias. Naquele dia, a Tia Cida que não era de reclamar já queijava bastante de uma dor no dedão da mão, uma possível farpa de esponja de aço teria entrado nela, após as compras o noivo foi ver sua amada e sua mãe foi ver o médico, uma limpeza constatou que não existia farpa no dedo e após receitar um medicamento ela foi mandada para casa.
Domingo, SEIS dias para o grande dia, o braço da mãe do noivo já acordara inchado, um mal estar dominou aquela mulher forte e ela retornou ao hospital, apesar de apreensivos a gravidade só foi percebida quando na noite do domingo ela foi encaminhada ao CTI.
Ansiedade, espanto e agora medo.
Era uma segunda-feira, CINCO dias para o casamento, e a Tia Cida acabara de ser intubada. O mundo vira de forma muito rápida, e todos os preparativos, a essas alturas totalmente finalizados, começaram a ser desfeitos.
Terça-feira, 16 de outubro de 2018, QUATRO DIAS. O pior possível aconteceu, após ser induzida ao coma a Tia Cida, de quase 51 anos partiu desse mundo e naquele momento estavam todos, perdidos e desolados. Nesse ponto não tenho palavras, só consigo apresentar os fatos. A semana seguiu, a festividade não aconteceu, mas uma coisa ainda ficara por ser feita.
As fotos. Era um presente dela, um desejo tão dela quanto dos noivos, e então uma data... um ano depois de todo aquele caos e tristeza o ensaio se concretizou.
O noivo não viu o vestido da noiva no período de 1 ano , no dia do ensaio o fotografo foi dirigindo até o local do ensaio e o noivo foi vendado até o inicio do ensaio.
Cada foto é de um momento único e retrata sentimentos únicos dessa trajetória, cada detalhe traz fortes lembranças e que só foram possíveis graças a ela, a Tia Cida.
( Relato dos noivos )